Dead Cells é um roguelike com plena inspiração na época da peste negra, que ocorreu entre os anos de 1347 a 1351. É, até hoje, considerado um momento sombrio vivido pela Europa. Para narrar os fatos à sua maneira, nada melhor do que um excelente jogo que consegue representar perfeitamente os rastros de destruição deixados pela doença e o medo da população pelo desconhecido.
A peste negra foi uma epidemia que causou a morte de 1/3 da população que vivia na Europa. Essa doença era transmitida por meio do contato com ratos, pulgas e pessoas contaminadas, sendo suficiente para ter causado uma forte crise social, demográfica e também econômica durante a Idade Média.

A atmosfera sombria e opressora da peste negra serve como um pano de fundo visceral para a experiência roguelike de Dead Cells. A sensação constante de perigo, a luta pela sobrevivência em meio a um cenário de decadência e a presença de criaturas grotescas ecoam o terror e a incerteza que marcaram aquele período histórico.
Ao transpor essa inspiração para a dinâmica desafiadora e recompensadora do gênero roguelike, Dead Cells oferece não apenas entretenimento, mas também uma imersão sombria em um dos capítulos mais trágicos da história europeia, tema desta análise detalhada do JogosZ, para os entusiastas de games e história.
Um roguelike diferente: o que é Dead Cells?
Roguelike se caracteriza por um game que gera masmorras de forma aleatória, em que o personagem consegue prosseguir, coletar itens, se fortalecer, enfrentar inimigos fortes e explorar os locais. A questão é: mortes são permanentes, o que significa que, se acontecer do nosso herói perder a vida em qualquer ponto da história, teremos que recomeçar e sem nenhum objeto de poder. Entenda o que compõe esse tipo de game:
- Morte permanente: se perdermos, o jogo volta do início. É impossível salvar o progresso;
- Exploração: temos que explorar masmorras, lutar contra inimigos fortes e encontrar itens que podem nos ajudar durante as aventuras;
- Características de Metroidvania: não se trata somente de um roguelike – ele é a mistura de um poderoso Metroidvania, já que nos permite retornar às áreas exploradas se for necessário. O sistema tradicional em grades não é tão popular nesse game;
- Alto grau de dificuldade: se nunca jogou nenhum game difícil, se prepare porque Dead Cells é um dos títulos mais difíceis que existem. Requer muita paciência por conta das mortes e dos chefes poderosos;
- Desafio gradual: conforme se avança no jogo, o nível de dificuldade e desafios começa a aumentar até atingir um pico em que ou o jogador desiste, ou perde a vida na luta;
- Itens aleatórios: nunca saberemos quais são os itens disponíveis em cada mapa, o que faz desse um gênero interessante e desafiador;
- Aumento de vida ou força? Eis a questão: em Dead Cells, podemos elevar o HP ou simplesmente optar pela força para conseguirmos combater os inimigos;
- Interações com personagens: no game, podemos interagir com alguns personagens em determinadas salas. Lá conseguimos trocar as almas coletadas por itens melhores para nos prepararmos para as lutas contra os chefões;
- Mapas proceduralmente gerados: os mapas são gerados aleatoriamente e gradualmente em Dead Cells. Podemos decidir por onde seguiremos;
- Combate: as lutas são ágeis e podemos combinar diferentes estilos de poderes e magias.
Carinhosamente, gostamos de chamar Dead Cells de Roguevania devido às suas mecânicas e estilo de exploração semelhantes a jogos metroidvania. Durante os nossos “passeios” pela ilha, conseguimos ver de tudo um pouco, até voltarmos algumas salas a fim de pegar itens que ficaram esquecidos ou que podem ser úteis em nossa jornada.
Por mais que o nosso personagem seja imortal, os corpos utilizados ao longo da aventura são mortais. Então, precisamos ter cuidado durante a exploração para termos a chance de encontrar itens melhores, elevar o HP do protagonista e descobrirmos o que realmente aconteceu na ilha em que o game se ambienta.
Antecipadamente, devemos avisar que, se você nunca jogou Dead Cells antes, jogue com muita paciência e com o conhecimento de que o personagem vai morrer várias vezes. Para tentar minimizar um pouco dos efeitos negativos causados por perder as lutas, procure montar builds que façam sentido para o seu estilo de combate, teste e use novas combinações até encontrar as que te agradam.
A ambientação sombria: ecos da peste negra na estética do jogo
Como um excelente jogo de roguelike, Dead Cells possui uma narrativa centrada nos acontecimentos de uma pós-epidemia de peste negra, que assolou a Europa no século XIV. Para entender a história do game, não é necessário ser um apaixonado por história. Porém, é importante saber o que realmente contribuiu para o aparecimento e disseminação da doença, pois vai fazer a lore ficar ainda mais compreensível.
Castelos abandonados, esgotos contaminados e vilarejos em ruínas
Todos os locais da ilha estão abandonados e tudo o que restou para a nossa diversão – ou tristeza do protagonista – são criaturas mortas-vivas que carregam um forte rastro de destruição. Como sabemos, a Europa é repleta de belíssimos castelos e o roguelike faz uma forte referência a esse fator, mas com o diferencial de nos apresentar os pontos mais sujos e contaminados desses lugares, como vemos abaixo:
Quando vamos entrar em um mapa diferente, o jogo nos narra um breve trecho do que pode ter acontecido com a ilha, exatamente como acima: “A prisão despejou toda sua imundície indescritível nas galerias mais baixas, então não é de espantar que algo horrível, em algum momento, surgiu de tudo isso!”
Na referida época, era muito comum que as necessidades dos moradores do castelo, como os excrementos, fossem jogadas nos pontos inferiores para evitar sujeira interna – e não deixa de ser nojento. Dificilmente os locais mais baixos estavam isentos dos ratos, o que contribuiu diretamente para o aparecimento e o fortalecimento da Yersinia pestis, que infectou as pulgas e transmitiu a doença aos roedores por picadas.
Durante a história, não temos nenhum tipo de trecho que mostre diretamente o caos que ficou na ilha enquanto a peste negra se consolidava. Tudo o que vemos, são rastros de lugares que, um dia, foram habitados por pessoas, mas que agora dão lugar a monstros perigosos e poderosos.
O nosso protagonista em Dead Cells, por sua vez, era um prisioneiro que, de alguma maneira, sobreviveu – sabemos que é devido aos experimentos falhos. Conforme avançamos pelos mapas, também encontramos anotações deixadas por pessoas que descrevem o terror vivido durante a disseminação da doença pela ilha, e como foi o comportamento dos governantes perante ao problema.
Alquimia, experimentos e desespero
Um dos maiores – se não o maior – medos da humanidade é o de morrer, já que se trata de um estado de puro desconhecimento. Para tentarem sobreviver, os moradores da ilha com maior poder aquisitivo procuravam desesperadamente uma cura, o que fez a ciência ter um papel fundamental, mesmo que conflitasse também com as questões religiosas das pessoas.
Os aldeões infectados pelo “mal-estar” tinham sintomas, como dores de barriga, visão turva, coceira intensa e constante, desânimo e dor de cabeça. Se a doença estivesse em um estágio mais avançado, os adoecidos morriam, porém, ao invés de descansarem pela eternidade, seus corpos eram reanimados e começavam a atacar aqueles que estavam vivos.
Para encontrar alguma cura, o Alquimista se reuniu com o Rei e também com a Guardiã do Tempo para utilizarem dos meios científicos a fim de solucionar o mal que assolava a ilha. Diversas pesquisas foram feitas tanto em busca de controlar a situação, como também identificar as causas da doença, mas infelizmente não chegaram a nenhuma resposta conclusiva.
De maneira popular, quase ninguém gostava do Alquimista, fosse por ele conduzir inúmeras pesquisas usando os cadáveres ou recrutando alguns aldeões para o “ajudar”. Conforme estudava mais sobre a ilha, ele descobriu que existia um Santuário, local que poderia ter contaminado as demais regiões por conta da seiva presente nas paredes que entrou em contato com o esgoto.
A história por trás do caos: o que sabemos sobre a doença em Dead Cells?
A aparição da doença de Dead Cells é um verdadeiro mistério para os moradores da ilha e acreditam que a real causa possa estar relacionada com a seiva do Santuário. Por conta da agilidade com a qual o “mal-estar” se expandiu por todo o lugar, foi necessário jogar pessoas inocentes com os prisioneiros, o que também contribuiu para as mortes ocorrerem em menos tempo. Veja um trecho do rastro de destruição na Aldeia de Palafitas:
Na perspectiva do Rei, essa poderia ser a única maneira de evitar que a doença continuasse a se propagar, porém, a situação, ao invés de melhorar, ficou ainda pior. Todos os guardas tinham a ordem de executar qualquer indivíduo que estivesse infectado, independentemente de ser suspeito ou não – o que, por si, já diz como é a personalidade do governante.
Os guardas não tinham a intenção de matar pessoas inocentes, mas, como foram ameaçados de morte se não obedecessem ao Rei, se viram obrigados a cumprir com as ordens. Isso os fez ficar extremamente violentos e é um forte reflexo das criaturas que enfrentamos durante a saída do alojamento dos prisioneiros, onde inicia o jogo.
Todos os moradores da aldeia vandalizaram a estátua do Rei, ignoraram as ordens dele e começaram a exigir a sua cabeça. Para tentarem controlar a situação, muitas pessoas foram mortas, o que fez os guardas jogarem os corpos no Ossuário e queimar os excedentes se acontecesse do Cemitério ficar superlotado.
Existem registros espalhados por todos os mapas que falam sobre os acontecimentos da ilha, quais foram as atitudes tomadas pelos aldeões e como a situação piorou. Conforme prosseguimos pelos mapas, podemos ver também corpos enforcados ou pilhas de cadáveres com odor fétido.
A intolerância religiosa do Rei
Por mais que parecesse “bom”, o Rei de Dead Cells era um sujeito que não aceitava nenhum outro tipo de religião e considerava a sua como a correta. Os que fossem contra seriam banidos para locais selvagens da própria ilha e muitos moradores apoiaram a cruel decisão, até mesmo concordaram com a Lei que proibia qualquer pessoa de ir até o Santuário Fragmentado.
Nem mesmo os Apóstatas foram perdoados. Como uma decisão definitiva do Rei, eles foram banidos para as Costas Imortais devido a crimes cometidos contra a coroa. O que essas pessoas fizeram de errado ninguém sabe, mas apenas serve para demonstrar que o governante era impiedoso com quem quer que fosse.
A intolerância religiosa na Idade Média ocorria também por questões políticas a fim de manter o poder sobre as pessoas e era exatamente o que o Rei fazia em Dead Cells. Os que eram contra os pensamentos dele deveriam ser punidos imediatamente para servirem de lição aos demais aldeões.
O herói Decapitado
É possível que o herói Decapitado tenha sido criado especificamente nas Praias Imortais, já que ele menciona que um certo tanque é estranhamente familiar. Os prisioneiros também o conhecem, assim como o Demônio da Cripta, que parece reconhecê-lo por conta de comentários deixados por uma pessoa desconhecida.
O objetivo do Decapitado é caçar o Rei e eliminá-lo para conseguir mudar a situação da ilha. Então, o conglomerado de células mortas em uma forma gelatinosa começa a possuir diversos corpos, sejam de mulheres ou homens, para colocar um fim em todas as ameaças presentes no lugar.
Durante a missão, podemos frequentar diversos mapas tanto para encontrarmos objetos relevantes que podem nos ajudar durante a missão, como também descobrir mais informações sobre a destruição deixada pela peste. E, quanto mais fundo investigarmos, maiores serão os desafios, principalmente porque os inimigos são mais fortes e rápidos, o que exigirá o bom uso das habilidades, como no Santuário, Ossuário e Cemitério.
Por mais que não tenha exatamente como falar, o Decapitado consegue se comunicar por meio de balões de diálogo que apresentam os pensamentos dele. A depender da gravidade da situação, a cor dessas caixas pode sofrer modificações para tons claros ou mais escuros, o que nos demonstra um pouco da personalidade empática dele.
Além disso, uma característica peculiar do protagonista é o fato de adorar fazer piadas ou comentários ácidos a respeito de sua própria situação. Ele gosta de incomodar as pessoas e pode agir sem a menor educação, como no momento em que chutou os corpos no tutorial do jogo, porém, ele ainda tem algum resquício de sentimentos ao demonstrar sua chateação quanto às ordens cruéis do Rei.
Influências visuais e históricas: a peste como elemento de design
No roguelike Dead Cells, o mal-estar (peste negra) é representado por meio das máscaras usadas pelos “médicos”, e também dispostos pelos cenários estão diversos frascos alquímicos que demonstram as diversas tentativas do Alquimista de encontrar uma cura. Em nossa longa jornada, vemos centenas de corpos empilhados e a situação fica mais desagradável, conforme chegamos perto do Cemitério e do Ossuário.
O que nos chama atenção é em relação à paleta de cores de Dead Cells, que possui desde os tons esverdeados doentes para representar a seiva responsável pela peste, até os púrpuras que evidenciam muito sobre o luto e a morte das pessoas. Há amarelo em boa parte dos cenários, mais como uma forma de demonstrar que os lugares estão fétidos por conta dos corpos decompostos.
Há muitos pontos que devemos observar nos cenários, como as pinturas presentes no Palácio Real, as notas deixadas pelo Jardineiro e as cartas escritas pelas pessoas que viveram na ilha. Conforme nos aprofundamos no game, maiores são as chances de ligarmos o quebra-cabeça e ainda desenvolvermos teorias que possam nos ajudar a entender ainda mais a história.
Para entendermos melhor a narrativa, é fundamental lermos os trechos que surgem nas telas de carregamento e andarmos por todo o local a fim de encontrarmos segredos que possam enriquecer ainda mais a narrativa. Conheça os biomas e as possíveis histórias que o próprio jogo nos apresenta:
Alojamento dos Prisioneiros
É no Alojamento dos Prisioneiros que a nossa aventura em Dead Cells realmente inicia e é também neste lugar que encontramos os zumbis, portadores de escudos, granadeiros e os arqueiros mortos-vivos. Conforme perdemos e retornamos ao começo, a tela de carregamento nos conta alguma história diferente e interessante, como:

Nem sempre os prisioneiros tinham a sorte de sobreviver, mesmo que tentassem escapar, eles morreriam de alguma forma, seja por conta da fome, sede, cansaço, fraqueza ou contaminação pelo mal-estar. E, segundo a hierarquia da ilha, existiam os cachorros, ratos e bem abaixo desses animais, as pessoas presas.
Esgotos Tóxicos
Em Dead Cells gameplay, podemos pegar o caminho para os Esgotos Tóxicos, que nos levará direto para um local fétido, repleto de monstros perigosos e que mostram mais da situação em que ficou a ilha. Podemos entender melhor também quais foram as causas para este lugar ficar desse jeito, compreenda:

Há diversos inimigos com nível entre 4 e 7, compostos pelos zumbis, escorpiões, vermes, ratos, granadeiros e os kamikazes. No local, encontraremos saídas para outros lugares, como o castelo do Drácula, Muralhas, Esgotos Antigos que nos direcionam ao chefe Conjunctivitis ou Prisão Corrompida.
Arboreto Dilapidado
Por muito tempo, o Arboreto Dilapidado foi um lugar bonito, agradável e regularmente frequentado por pessoas da mais alta classe social. No entanto, esses indivíduos conseguiram destruir a beleza dessa parte da ilha, conforme explica abaixo:

O nível de desafio do roguelike, nesse ponto, não aumenta tanto, mas é preciso ter muito cuidado porque os inimigos são mais rápidos e usam novas habilidades. Desviar com precisão dessas criaturas é indispensável para sobreviver e conseguir prosseguir às demais partes do mapa para acompanhar a história.
De longe, é um dos mapas com uma das atmosferas mais bonitas e que foi muito bem trabalhada pelos desenvolvedores da Motion Twin. Pode também ser uma crítica social ao fato de que: “Nem mesmo os ricos escapam da morte. Eles podem nascer em berço de ouro, mas vão morrer como qualquer outra pessoa de uma classe social baixa.”
Pântano dos Renegados
Chegar ao Pântano dos Regados, embora pareça muito simples, nos reserva uma surpresa nada agradável, como um mini-chefe que surge em nosso caminho e que precisa ser eliminado para prosseguirmos. Na parte interna do local, encontraremos também carrapatos imensos, os banidos, atiradores de zarabatanas e criaturas que usam cutelos para lutar. Observe uma parte da história:

Deixe o Decapitado com o máximo de itens fortes possíveis para enfrentar os monstros e conseguir prosseguir às próximas etapas. Use os mascotes ao seu favor, selecione armas velozes e se prepare para um dos principais desafios impostos pelo jogo aos players, pois é um dos cenários mais complexos.
É considerado um dos mapas mais difíceis até o momento e não por ser longo, mas porque os inimigos ficam velozes e os golpes infligidos são muito fortes. Não optar por pergaminhos de brutalidade ou sobrevivência pode deixar a sua gameplay ainda mais complicada e, por isso, sugerimos que ao visitar esse mapa, tenha atenção para não ser derrotado.
Castelo do Drácula
Não gostamos de estragar a surpresa, mas o Castelo do Drácula reserva diversos monstros clássicos de Castlevania que nos esperam ansiosos para um combate. Se você, assim como nós, gosta da franquia, certamente se apaixonará por cada detalhe presente no mapa. Veja como é a tela de carregamento:

Caso consigamos prosseguir até o final do Castelo, enfrentaremos o Conde Drácula e as suas formas mais poderosas. Ele não é um dos chefões mais fáceis e, por isso, é indispensável ter uma build estruturada e correspondente com o seu estilo de jogo para conseguir vencer esse desafio. Surpreenda-se com alguns trechos do mapa:
Esta é a entrada para o castelo, lugar em que nos deparamos com inimigos clássicos e que estão presentes em diversos títulos da franquia, como Symphony of the Night. Para fãs de Castlevania, essa é uma oportunidade mais do que especial, principalmente porque é a réplica perfeita do game e que pode ser aproveitada por meio da DLC disponível no Steam por R$32,99.
Esplanada dos Condenados
Quando chegamos à Esplanada dos Condenados, também temos a oportunidade de presenciarmos o que a peste fez com as pessoas que estavam por ali. Diretamente no trecho a seguir, conseguimos ver que alguém foi enforcado e exposto para servir de lição aos demais:

Por muito tempo, este era um lugar em que os pássaros costumavam frequentar e cantar, enquanto o jardim era bem cuidado pelo jardineiro real – dizemos isso por conta da chave em formato de rosa com o nome “chave do jardineiro”. Em outro trecho, nos deparamos com a estátua do Rei, onde o Decapitado faz uma pergunta um tanto ácida e engraçada:
O Rei usa um capacete que quase o impede de enxergar direito, o que faz o nosso protagonista se questionar: “Como ele consegue ver com isso?” Agora, não podemos dizer que o governante da ilha tinha um péssimo gosto para poses, pois a estátua tem o seu pequeno charme – o que a fazia perfeita para ser pichada.
Ossuário
Assustador, desconfortável e estranho são palavras que usamos para qualificar o Ossuário de Dead Cells. O lugar é coberto por fumaças, monstros muito agressivos e pilhas de corpos espalhados pelo cenário, o que faz deste um lugar muito bizarro e pouco convidativo. Observe o que diz a história:

Somente com esse trecho, conseguimos perceber que o Ossuário é um dos piores lugares para estarmos. Acontece que ele trabalha também com a narrativa, ou seja, não podemos simplesmente evitá-lo porque explica visualmente o que a peste foi capaz de causar no reino – entenda:
Realmente viviam muitas pessoas na ilha, pois há inúmeras pilhas de corpos como essas espalhadas pelo restante do mapa. De longe, é um dos cenários mais incômodos de se ver, até mesmo a trilha sonora é diferente das outras, justamente para nos passar o sentimento de desconforto e agonia.
Profundezas da Prisão
Os prisioneiros que foram parar nas Profundezas da Prisão não tiveram a sorte de escaparem com vida de lá. Na verdade, ninguém nunca conseguiu fugir, o que significa que todos morreram nesta região, fossem eles culpados por crimes ou por estarem possivelmente contaminados com a peste. Fato é que o mapa também demonstra a indiferença do Rei com os condenados – como a seguir:

Ao fundo, conseguimos ver com facilidade diversas gaiolas que serviam para manter as pessoas presas e evitar que escapassem. Muitas delas cederam por conta do tempo, da umidade e da falta de cuidados, enquanto outras permaneceram, aparentemente, íntegras, o que nos permite ver também os cadáveres das pessoas. O mapa seguinte também é repleto de inimigos:
Este é um dos lugares mais interessantes do jogo por conta de todas as características que possui, além do fator dificuldade ser maior. Há muitos pontos para explorarmos nessa aventura e que podem esclarecer mais a respeito dos presos ou até mesmo sobre como a peste chegou nessa parte do reino.
Muralhas
Nos primeiros sinais da peste, os guardas acharam uma excelente ideia se aglomerarem para evitar contato direto com os contaminados. Acontece que a doença pode ser passada facilmente por meio de gotículas no ar e foi justamente isso que aconteceu com todas as pessoas que se esconderam nesse lugar, assim como explica abaixo:

Em Dead Cells, as muralhas são os pontos mais altos que temos do jogo e é também um dos mais perigosos de se atravessar, pois se cair entre os vãos, o Decapitado perde a vida – irônico, não? Portanto, se já jogou algum game de Mario Bros, se prepare para colocar em prática as suas melhores habilidades de pular sem cair para prosseguir às novas áreas do jogo.
Farol
Falamos muito sobre o Rei e as decisões incorretas que teve, mas e quanto à Rainha? Ela é uma chefe final e alternativa do game, que se encontra especificamente no topo do Farol e vai aparecer somente na DLC “Rainha e o Mar”. Desconhecemos quem realmente foi essa mulher, mas sabemos que existem registros no jogo que demonstram o relacionamento dela com o Jardineiro Real.
A Rainha, possivelmente, era a dona de todos os Santuários, sobretudo os que possuíam diversos cofres com inúmeros tesouros – e liderava também os Pagãos. Muito se acredita que ela e o Jardineiro eram muito próximos por conta de notas escritas por ele, como: “procuro ajuda dos Pagãos. Preciso chegar até o Farol onde ela reside”.
Os Decapitados foram transformados em Homúnculos e a Rainha também, mas a diferença é que a sua cabeça possui 3 marcas muito parecidas com o brasão desenvolvido pelo Rei. Existe uma sala na área das Costas Imortais que nos faz acreditar que a mulher foi transformada forçosamente nessa criatura pelos Apóstatas e libertada somente por seus Servos.
Palácio Real
Dead Cells é surpreendente em diversos aspectos, mas principalmente ao referenciar obras relacionadas à época em que o jogo ocorre. Também nos sugere mais sobre o ano aproximado em que estamos devido às pinturas presentes no Palácio Real, como o Grito do pintor Edvard Munch – observe:

Não satisfeitos com a referência feita, incluíram outras pinturas igualmente interessantes em todo o Palácio Real. Entretanto, a que mais nos chamou atenção faz referência direta ao problema causado pela peste e quem eram os responsáveis por cuidar das pessoas doentes, confira:

O médico da peste era um especialista que tentou cuidar dos pacientes de cidades e vilas que sofriam da doença. Esses profissionais usavam uma máscara em formato de bico e chapéus para se protegerem da epidemia, pois acreditavam que o ar contaminado era o responsável por fazer os moradores locais adoecerem.
Para não respirarem o mesmo ar que as pessoas, eles colocavam uma mistura de ervas no bico para não se envenenarem com o “miasma”. Com o ar filtrado, eles não se contaminariam, o que na teoria faz muito sentido – principalmente para a época em que a peste surgiu – mas na prática não era tão eficiente quanto deveria.
Santuário Adormecido
Silencioso e escuro, o Santuário Adormecido é um dos mapas que podemos visitar se estivermos no estágio 4 de Dead Cells. Nas paredes do local, vemos que são iluminadas por uma espécie de brilho esquisito muito similar às seivas, o que pode ser um indício da origem dessa substância.
Os salões do Santuário estão em sono profundo e mesmo as estátuas que deveriam se mover permanecem paradas. A única maneira de fazer o lugar ser ativado é apertar um botão que vai fazer as criaturas despertarem de seu descanso – o que também contribui para maior hostilidade. Conheça como é o mapa:

Conforme exploramos o local, encontramos os grimórios do Alquimista que, durante as observações, descreve a sua crença de que a peste possa fluir do Santuário para a rede de esgoto. Ele faz um questionamento interessante: “Muitos dizem que essa seiva escorre ao esgoto e causa a peste. Porém, ela poderia ser a solução para o problema?”.
Além disso, dá a entender que o líquido viscoso tem um odor desagradável e que, por mais beleza que possua, é esquisito. O Decapitado é responsável por fazer esse tipo de comentário, sobretudo porque precisa passar ali dezenas de vezes, além de dizer também que nunca se questionou sobre o que seria aquela coisa nas paredes.
Passar pelo Santuário Adormecido não é uma das tarefas mais simples, pois é um lugar muito perigoso e repleto de monstros mais fortes e velozes. O ideal é possuir uma build que misture agressividade com defesa para não perder tanta vida, além de ter também um bom armamento à disposição para combater os oponentes com mais tranquilidade e sem passar muita raiva.
Roguelike como metáfora para o ciclo da peste
No roguelike Dead Cells, a principal metáfora ao ciclo da peste é: morrer, voltar, tentar novamente e perder a vida. Consequentemente, isto demonstra o quão destrutiva foi a doença na época em que surgiu, sobretudo em seu ápice, entre os anos de 1346 a 1353 – um período obscuro em que a humanidade viveu.
A mecânica do game demonstra a necessidade de lidarmos contra situações problemáticas sem desistir, ao mesmo tempo, que apresenta a necessidade de lutarmos contra o inevitável. Isto significa que, em determinado momento, precisaremos nos adaptar aos problemas e procurar soluções que nos ajudem a nos fortalecer para sobrevivermos diante do caos.
Em Dead Cells, o jogo simbolicamente, mostra o corpo como um verdadeiro campo de batalha e toda a fragilidade que possui. Ou seja, por mais que possua as melhores armaduras e armamentos, ainda assim, qualquer pessoa está suscetível a fracassar com o que pretende fazer, caso não tenha nenhum objetivo em sua mente – o que pode fazer uma crítica aos que possuem um poder aquisitivo maior.
Neste caso, boa parte do jogo faz referência aos atos que o Rei teve na ilha e a maneira com a qual os aristocratas tentaram fugir da peste. Por mais que fossem ricos o suficiente, o ouro não foi o bastante para custear nenhum tipo de tratamento, uma vez que nem mesmo o Alquimista conseguiu encontrar uma cura para a peste negra, então, todos morreram um após o outro, fosse uma pessoa rica ou pobre.
Teoria sobre o surgimento da peste
Quando chegamos à Aldeia das Palafitas, o subúrbio da ilha, lemos a mensagem: “A aldeia era a primeira da fila quando a peste começou a se espalhar. No começo, eles enterraram seus mortos. Em muito pouco tempo, eles estavam lutando contra os mortos”, o que dá a entender que a contaminação ocorreu primeiro nesse lugar.
Pode ser que a peste ou mal-estar se originou de peixes infectados ou da água contaminada, pois quando o Decapitado se aproxima dos animais aquáticos mortos, diz: “As pessoas comeram mesmo isso?”. Como sabemos, a seiva presente no Santuário Adormecido é perigosa à saúde e, se ela se espalhou pelo esgoto e posteriormente aos rios, mares e lagos, foi suficiente para fazer as pessoas adoecerem.
Ressaltamos que a Vila ou Aldeia das Palafitas foi construída sobre o Santuário Adormecido, o que fortalece ainda mais a teoria. Ninguém sabe se essa foi uma ideia dos primeiros colonizadores ou se já se encontrava neste lugar, mas fato é que a seiva das paredes pode ter contaminado a água e os peixes que os pescadores capturavam em suas redes.
Na Aldeia, a vida não era uma das mais fáceis, o que obrigava os pescadores a brigarem por comida quase o tempo inteiro, então, não é de se surpreender que o contágio se iniciou primeiro no local ao invés dos pontos mais altos da ilha. Conforme os moradores morriam e retornavam, o caos começou a se expandir para outros pontos do lugar até chegar às muralhas.
Curiosidades: referências históricas e inspirações de Dead Cells
Os biomas desse roguelike possuem pontos de interações que vão narrar brevemente os acontecimentos e falar sobre o perigo da peste negra. Prisioneiros escreveram cartas, outros deixaram diários que relataram a seriedade do problema e o medo que sentiam de morrer para o desconhecido.
Medicamentos feitos com ervas foram usados para tentar controlar os sintomas, o que significa que, em diversas salas, veremos frascos de vidro expostos – alguns cheios e outros estilhaçados. Não sabemos se esses remédios chegaram a ser aplicados nos pacientes ou se quebraram por conta da aparição dos monstros.
Diversas críticas sociais estão presentes no jogo, sobretudo às ordens inconsequentes do Rei de querer eliminar a classe social mais frágil e manter os aristocratas “protegidos”. Todos os que estivessem com o mínimo de sintomas da peste seriam condenados à prisão e posterior execução por parte dos guardas.
Outro ponto a considerarmos é quanto à intolerância religiosa, que marca muito o período da Idade Média. Era comum que a única religião bem-vista fosse a católica e aqueles que pensassem ao contrário seriam expostos à população e das duas, uma: poderiam ser expulsos do local ou mortos.
Dead Cells DLCs 2025: Conteúdo Completo Disponível
1. The Bad Seed (2020) Lançada em 11 de fevereiro de 2020, esta DLC introduz dois novos biomas (Arboretum e Pântano dos Renegados), um novo chefe e diversas armas inéditas.
2. Fatal Falls (2021) Lançada em 26 de janeiro de 2021, adiciona dois novos níveis desafiadores com armadilhas e inimigos únicos, incluindo a temida Destilaria Abandonada.
3. The Queen and the Sea (2022) Lançada em 6 de janeiro de 2022, oferece o final definitivo do jogo com novos biomas aquáticos, naufrágios e confronto contra a Rainha no topo do Farol.
4. Return to Castlevania (2023) A colaboração épica com a Konami que trouxe 14 armas icônicas de Castlevania, dois níveis temáticos, 3 chefes incluindo o Conde Drácula e 51 músicas clássicas da franquia.
Builds Recomendadas 2025
Build Brutalidade Glass Cannon
- Armas: Espadas rápidas + Arco
- Habilidades: Granada de gelo + Torretas
- Mutações: Necromancia + Gastronimia + YOLO
Build Sobrevivência Tanque
- Armas: Escudo + Arma lenta pesada
- Habilidades: Tonic + Poção de óleo
- Mutações: O que não mata + Alienação + Vingança
Build Táticas Crítica
- Armas: Armas com criticals + Arco elétrico
- Habilidades: Granada elétrica + Sinai
- Mutações: Ponto de Apoio + Instinto de Killer + Combo
Por Que Dead Cells Continua Relevante em 2025
Mesmo com o fim oficial das atualizações, Dead Cells permanece como uma obra-prima do gênero roguelike com avaliação de 97% positiva. Sua combinação única de mecânicas Metroidvania com progressão roguelike, aliada a uma narrativa profunda sobre temas históricos universais, garante sua relevância duradoura.
O jogo oferece centenas de horas de conteúdo através de suas 4 DLCs principais, 35 atualizações e mecânicas de progressão não-linear. Para jogadores brasileiros, representa uma das melhores experiências em roguelike disponíveis, com preços acessíveis tanto no PC quanto mobile.
Dead Cells é mais que um jogo – é uma lição de como criar experiências atemporais que continuam cativando jogadores anos após o lançamento.
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